Resposta rápida: PuTTY: cliente SSH gratuito e portátil para Windows. Veja a instalação segura, chaves .ppk, túneis SSH e quando o OpenSSH nativo já resolve.
Resposta rápida: O PuTTY é um cliente SSH, Telnet e serial gratuito e de código aberto para Windows, criado por Simon Tatham em 1999 sob licença MIT. Pesa menos de 4 MB, roda sem instalação e continua sendo o padrão de fato para acessar servidores Linux a partir do Windows. A série atual é a 0.83, publicada em abril de 2025.
Atualizado em 24/07/2026
O que mantém o PuTTY vivo depois de mais de 25 anos não é nostalgia: é o conjunto de ferramentas que vem junto. Além do terminal gráfico, o pacote entrega o PuTTYgen (geração e conversão de chaves), o Pageant (agente que guarda a chave desbloqueada na memória), o PSCP e o PSFTP (cópia de arquivos por linha de comando) e o Plink (SSH scriptável, usado por ferramentas como o antigo TortoiseGit para autenticar em repositórios). É um canivete completo de acesso remoto que cabe num pendrive e não exige direitos de administrador para funcionar — detalhe decisivo em máquinas corporativas travadas, onde instalar software é proibido mas executar um binário portátil não é.
O que o PuTTY faz que o terminal do Windows não faz?
Desde a versão 1809 do Windows 10, a Microsoft passou a incluir o cliente OpenSSH nativo: basta abrir o PowerShell e digitar ssh usuario@servidor. Isso reduziu o PuTTY de “obrigatório” para “opcional” em cenários simples. A pergunta certa, portanto, não é qual é melhor, e sim o que ainda só o PuTTY resolve bem:
- Sessões salvas com perfil completo. Host, porta, usuário, chave, cores, codificação, encaminhamento de portas e comandos de proxy ficam gravados em um nome só. Você clica duas vezes e está dentro. No OpenSSH isso exige editar um arquivo
configà mão. - Conexão serial (COM). Configurar switch, roteador, nobreak ou placa embarcada por cabo console é caso de uso diário de quem trabalha com redes — e o OpenSSH simplesmente não faz isso.
- Túneis SSH pela interface gráfica. Encaminhamento local, remoto e dinâmico (SOCKS) em formulário, sem decorar as flags
-L,-Re-D. - Telnet e Rlogin. Protocolos antigos, mas ainda presentes em equipamento industrial e legado.
- Portabilidade real. Um
.exeúnico, sem instalador, sem serviço, sem dependência de runtime.
Onde ficam as configurações do PuTTY
Um ponto que confunde muita gente: o PuTTY não usa arquivo de configuração. Ele grava tudo no Registro do Windows, em HKEY_CURRENT_USERSoftwareSimonTathamPuTTY. Para levar suas sessões para outro computador, exporte essa chave com regedit ou use o comando reg export e importe no destino. Ferramentas de terceiros e o próprio modo portátil de forks como o KiTTY resolvem isso gravando em arquivo, mas o PuTTY original mantém o comportamento histórico. Saber disso evita a frustração clássica de reinstalar o Windows e perder dezenas de sessões cuidadosamente configuradas.
Como instalar o PuTTY com segurança
O PuTTY é um dos alvos preferidos de sites que redistribuem instaladores adulterados com adware ou, em casos documentados, com versões trojanizadas que exfiltram credenciais de servidor. A regra é simples e inegociável: baixe apenas do site do autor, chiark.greenend.org.uk/~sgtatham/putty/, ou pelo gerenciador de pacotes oficial do Windows:
- Abra o PowerShell e execute
winget install PuTTY.PuTTY— o pacote vem do repositório oficial e já resolve assinatura e atualização. - Se preferir baixar manualmente, escolha o instalador MSI de 64 bits ou o
putty.exeavulso para uso portátil. - Confira a assinatura digital: clique com o botão direito no arquivo, aba Assinaturas digitais, e verifique se consta Simon Tatham. O projeto também publica hashes e chaves GPG na página de download.
- Na primeira conexão a um servidor, o PuTTY mostra a impressão digital da chave do host. Confira contra a chave real do servidor antes de aceitar — esse é o passo que protege contra ataque de intermediário, e é justamente o que quase todo mundo pula.
PuTTY vs alternativas gratuitas: qual escolher
| Ferramenta | Licença | Abas | Transfere arquivos | Melhor para |
|---|---|---|---|---|
| PuTTY 0.83 | MIT (livre) | Não | Sim, por PSCP/PSFTP (linha de comando) | Acesso rápido, serial, portátil, sem instalar |
| OpenSSH do Windows | BSD (nativo do sistema) | Via Windows Terminal | Sim, scp e sftp |
Quem já vive no terminal e usa chaves padrão |
| MobaXterm Home | Gratuito com limite de sessões | Sim | Sim, painel SFTP automático | Quem gerencia muitos servidores ao mesmo tempo |
| WinSCP | GPL (livre) | Sim | É a especialidade: SFTP/SCP/FTP gráfico | Enviar e editar arquivos em servidor |
| KiTTY | MIT (fork do PuTTY) | Não | Herda PSCP/PSFTP | Quem quer PuTTY com sessões em arquivo e scripts de login |
Na prática, a combinação que mais rende para quem administra servidores no Windows é PuTTY para o terminal e WinSCP para os arquivos — os dois conversam entre si, compartilham o formato de chave .ppk e o WinSCP consegue abrir uma sessão PuTTY já autenticada com um clique. Se o seu dia é feito de dez ou vinte servidores abertos ao mesmo tempo, vale considerar o MobaXterm, que agrupa tudo em abas e ainda embute cliente X11. E se a sua necessidade for só mover arquivos por FTP e SFTP, o FileZilla resolve sem passar por terminal nenhum.
Chaves SSH no PuTTY: o formato .ppk e como converter
O PuTTY não lê diretamente as chaves no formato do OpenSSH (aqueles arquivos id_rsa e id_ed25519). Ele usa o formato próprio .ppk. A conversão é feita no PuTTYgen, que já vem no pacote:
- De OpenSSH para PuTTY: abra o PuTTYgen, clique em Load, selecione a chave privada existente (mude o filtro para “All Files”) e salve com Save private key.
- De PuTTY para OpenSSH: carregue o
.ppke use o menu Conversions → Export OpenSSH key. É esse passo que faz sua chave funcionar no WSL, no Git Bash e em ferramentas de automação. - Chave nova: escolha Ed25519. É rápida, curta e sem as armadilhas históricas de curvas mais antigas.
Túneis SSH pelo PuTTY: os três tipos e quando usar cada um
É aqui que o PuTTY se paga sozinho, e é o recurso que a maioria dos usuários nunca liga. Um túnel SSH transporta tráfego de rede dentro da conexão criptografada que você já abriu com o servidor. Na interface, o caminho é Connection → SSH → Tunnels, e existem três modos com finalidades bem distintas:
- Encaminhamento local (Local). Traz um serviço do servidor para a sua máquina. Exemplo clássico: um banco de dados MySQL que só aceita conexões de
localhostno servidor. Você define porta de origem 3307 e destino127.0.0.1:3306; a partir daí, o seu cliente gráfico conecta emlocalhost:3307como se o banco estivesse na sua máquina — sem expor a porta 3306 na internet, que é o erro de segurança mais comum em servidores mal configurados. - Encaminhamento remoto (Remote). Faz o caminho inverso: publica um serviço da sua máquina no servidor. Serve para mostrar um site em desenvolvimento rodando no seu notebook para alguém que só alcança o servidor.
- Encaminhamento dinâmico (Dynamic). Cria um proxy SOCKS local. Você aponta o navegador para
localhost:1080e toda a navegação passa cifrada pelo servidor. É a maneira mais direta de trabalhar com segurança em rede pública sem contratar serviço nenhum.
Em todos os casos, marque a opção de tunelamento antes de conectar e salve a sessão — o túnel faz parte do perfil e sobe junto com a conexão. Se a porta local já estiver ocupada, o PuTTY avisa no log de eventos, acessível pelo menu da janela em Event Log. Esse log, aliás, é a primeira coisa a consultar quando uma conexão falha: ele mostra o algoritmo negociado, a chave do host apresentada e o motivo exato da recusa, poupando tentativa e erro.
Mantendo a sessão viva
Conexão que cai sozinha depois de alguns minutos de inatividade quase sempre é firewall ou NAT derrubando sessão ociosa. A correção está em Connection: defina Seconds between keepalives como 30 e marque Enable TCP keepalives. O PuTTY passa a enviar pacotes nulos periódicos e a sessão para de morrer no meio do trabalho.
Quando NÃO usar o PuTTY
Nem todo cenário pede PuTTY, e recomendar sem ressalva seria desonesto:
- Se você gerou chaves ECDSA NIST P-521 com PuTTY entre as versões 0.68 e 0.80. A falha catalogada como CVE-2024-31497 permitia recuperar a chave privada a partir de assinaturas, por causa de um nonce enviesado. Corrigida na 0.81, mas as chaves geradas naquele período continuam comprometidas: gere novas e revogue as antigas nos servidores e no GitHub.
- Se você precisa de abas. O PuTTY original abre uma janela por sessão. Com cinco ou mais servidores, isso vira bagunça — MobaXterm, Windows Terminal ou KiTTY resolvem melhor.
- Se o seu fluxo é todo em WSL ou Linux. Ali o OpenSSH nativo é mais integrado, usa o mesmo
~/.ssh/configdas suas outras ferramentas e não exige conversão de chave. - Se você quer sincronizar sessões entre máquinas. A dependência do Registro torna isso trabalhoso; clientes modernos guardam perfis em arquivo ou na nuvem.
- Se precisa de transferência gráfica de arquivos. PSCP e PSFTP funcionam, mas são linha de comando pura. WinSCP existe exatamente para isso.
Perguntas frequentes sobre o PuTTY
O PuTTY ainda é seguro em 2026?
Sim, desde que você use a série 0.81 ou superior e baixe do site oficial. O projeto segue mantido pelo autor original, com correções de segurança publicadas junto de cada versão. O risco real hoje não é o programa em si, e sim instaladores falsos distribuídos por sites de download agregadores.
PuTTY tem vírus?
O PuTTY legítimo não tem. Já foram documentadas cópias adulteradas em sites de terceiros que capturavam credenciais de servidores. Baixe apenas de chiark.greenend.org.uk ou via winget install PuTTY.PuTTY, e confira a assinatura digital de Simon Tatham no arquivo.
Como transferir arquivos usando o PuTTY?
Use o PSFTP ou o PSCP, que vêm no mesmo pacote. Por exemplo: pscp arquivo.zip usuario@servidor:/home/usuario/. Para uma interface gráfica de arrastar e soltar, a escolha natural é o WinSCP, que reaproveita suas chaves .ppk.
Preciso do PuTTY se o Windows 11 já tem SSH?
Não obrigatoriamente. Para conectar em um servidor com chave padrão, o comando ssh do PowerShell basta. O PuTTY continua valendo a pena por causa das sessões salvas, da conexão serial, dos túneis em interface gráfica e do modo portátil sem instalação.
Como salvar uma sessão para não digitar tudo de novo?
Preencha o host e a porta, ajuste o que quiser nas categorias da lateral, volte em Session, digite um nome no campo Saved Sessions e clique em Save. Na próxima vez, dois cliques sobre o nome abrem a conexão já configurada.
Veredicto: vale a pena em 2026?
Vale, com escopo definido. O PuTTY não é mais a única porta de entrada para SSH no Windows, e fingir que é seria ignorar o cliente nativo que a Microsoft entrega de graça. Mas ele continua imbatível em três frentes concretas: portabilidade sem instalação, conexão serial e gerenciamento visual de sessões e túneis. Baixe do site oficial, gere suas chaves em Ed25519, guarde o par no Pageant e combine com o WinSCP para arquivos. É um conjunto gratuito, auditável e com 25 anos de estrada — difícil pedir mais de um software de 4 MB.
Fontes: página oficial do PuTTY mantida por Simon Tatham (chiark.greenend.org.uk), registro NVD do CVE-2024-31497 e documentação do OpenSSH para Windows publicada pela Microsoft Learn.
Receba os melhores programas GRÁTIS por e-mail — 1 e-mail/semana
Software gratuito, open-source e alternativas legais a programas pagos. Sem spam, sem pirataria. Cancela quando quiser. Ao assinar você ganha nosso Kit Essencial: 30 Programas Grátis que Substituem Software Pago.





15 Comentários